Uma vez mais,
perdido na solidão de um vagão vazio mas tão cheio de gente, dou por mim a
pensar no que realmente podemos fazer por mudar o mundo. Existem perguntas as
quais não conseguimos encontrar resposta mas conseguimos encontrar possíveis
soluções capazes de diferenciar o mundo em que vivemos. Mudar mentalidades.
Pergunto me o porque da existência de sentimentos menos positivos. Essa
resposta parece que nunca vai chegar. Ou talvez a resposta esteja aos olhos de
toda a humanidade mas ninguém a consegue atingir.
Novamente,
numa destas viagens dou por mim a pensar se é realmente isto que eu quero para
mim, ficar dividido entre dois mundos, nos quais tenho coisas que me são de
valor e as quais eu não quero dispensar, nem tão pouco substituir por nada deste
mundo. Acabo de abandonar, uma vez mais, o local onde sempre vivi, a minha
família e muitas pessoas importantes para conseguir desenvolver o meu
funcionamento regular. Estar com ele meia dúzia de horas, ajuda a recordar o
quão felizes funcionamos juntos, mas na hora da partida, acontece que não é
assim tão fácil dizer adeus. Não é fácil trocar gestos de carinho bastante
fortes, quando dai a momentos se vai estar a muitas horas de distancia. Dois
dias apenas, neste meu mundo, que nunca me recusou entrada, deu para entender o
quão amado por aqui eu sou. Pequenos mas bons momentos, um simples acordar, um
mero cigarro, um correcto bom dia fazem a diferença quando se esta com as
pessoas que mais amo. Mas na hora da partida, observar alguém, que me ama,
chorar pela minha partida, não e uma acto muito fácil de representar, sabendo
que não sei quando é a próxima vez que a vou ver. É difícil saber que não se
sabe quando pode voltar e observar a dor de alguém que não me quer afastado.
Que gosta de me ter protegido. A independência é uma ocorrência que ainda não
faz parte dela, pelo menos para a minha pessoa, que sou visto como um filho.
Posso
não ser ninguém no mundo, ou apenas mais um daqueles que contribui para o
desenvolvimento da humanidade, que faz mudar mentalidades mas na realidade não
sei quem eu sou. Fui alguém que há algum tempo atrás, abandonou a vida segura
que tinha, por um objectivo de vida. Hoje posso não ter tanta segurança mas
estou a concretizar os meus sonhos. Mas lá no fundo mantenho os meus pensamentos
de regressar sem terminar este grande objectivo de vida. Não seria eu se não o
fizesse. Quando me dizem para começar algo com bases seguras, eu faço-o do modo
que acho que é mais seguro. Mas ao fazer esta base, julguei estar protegido por
alguém muito forte, que neste momento não consegue suportar uma base com ilusões
tão grandes. O problema é que esta, não segura apenas as minhas ilusões, ela
crê em quatro mundos diferentes, muitos deles que não conseguem acreditar numa
realidade tão fria. Hoje volto para outro mundo, atarefado com muito que fazer,
mas na pura da realidade, o que eu preciso é de espaço. Um espaço físico que não
se consegue obter em qualquer sitio. Aquele é o meu espaço. Deixar uma base
destas para trás, não é coisa fácil e não há nada mais que me afecte
profundamente. Posso estar a ser um tanto ou quanto egoísta por fazer da minha ausência
um factor obrigatório mas não serei compreendido se disser que preciso de um
espaço apenas para poder pensar nos últimos acontecimentos, que apenas me
atormentaram a mim, que me fizeram mudar ideias e até mesmo personalidades.
Tomar
atitudes por alguém eu já as tomei um dia. Foram, não muito fáceis de tomar
pois, mudar de personalidade apenas porque alguém não gosta da forma como sou
ou como ajo, não é fácil mas consegue-se. é uma evidencia que me sinto melhor,
sinto me uma pessoa muito mais leve, mais calma e quantas vezes mais tolerável.
Relembro tempos em que não tolerava um mero atraso, quando ficava numa espera
incessante por algo que sabia que valia a pena. Hoje ao tentar tomar essa
atitude, posso considerar que foi demasiado cedo para o fazer, fazer algo por alguém
de quem gosto. Sei que se não o tivesse feito não tinha sido tão profundo
quanto foi. Existem boas memorias daqueles dias em que vivi numa ilusão que
talvez não me iludiu apenas a mim. Há quem diga o quanto feliz eu estava. O
quanto feliz tu estavas. O quanto feliz nos éramos, mas depois de grandes
momentos, eis que surge a revelação final. A necessidade de espaço. Espaço
todos nós precisamos, mas questiono me sempre se o teu espaço é assim tão
grande que é necessário desapareceres deste planeta sem dar qualquer tipo de
argumento. Sem dizer apenas um Olá. Talvez sem pensar nos sentimentos que eu
estou a nutrir. Isso são só questões às quais nem eu nem o tempo podemos
responder, apenas tu. Um dia quando te reencontrar, posso nem sequer te
reconhecer à minha vista mas ao olhar profundamente nos teus olhos, vou reviver
todos os bons momentos que estivemos agarrados um ao outro, ouvir até o bater
do teu coração enquanto tento adormecer e ele faz questão de marcar a sua
presença, relembrar somente o quão bom era olhar para ti e ver o teu sorriso
que eu sabia tão sentido. Questiono me, qual será a razão para esta tua ausência
tão vincada, tão cheia de saudade. Sei que andas por ai, vagueando por mundos
nos quais eu não posso andar, e como tal não sei o que fazes, dói ainda mais
saber que não sei de ti há quase duas semanas, quando falamos da ultima vez,
quando ouvi a tua lágrima cair no chão, sem uma razão que eu esperasse.
Explicas-te os teus motivos, ouvi, chorei, tentei compreender pois sei que
também és feito de carne e como tal tens sentimentos. Mas o que aconteceu entre
nós, foi verdadeiramente intenso da ultima vez, conseguiste marcar algo que
nunca ninguém tinha marcado, consegui pela primeira vez, dizer espontaneamente,
que te amava e momentos mais tarde, choras pela necessidade de espaço. Eu compreendo
o porque e as razões. A única coisa que não consigo entender é o porque da
necessidade de espaço, obrigar a uma ausência totalmente falsa. Aquela que eu
sei quando estas mais perto de mim, e apenas te cobres com um manto invisível.
A perspicácia torna me uma pessoa mais triste ainda por conseguir descobrir
coisas que podiam ficar ausentes. Quando consigo observar determinadas coisas,
pergunto me o porque. Pergunto me se estás feliz. Anseio por ver o teu sorriso
de felicidade, comigo ou sem mim. Preferia a tua presença na minha vida mas sei
que se um não quer, dois não dançam. Mas também preferia que me fosse dito,
pela tua boa, com os teus olhos a olharem para os meus, que não querias mais
nada comigo, que não sentes nada por mim ou simplesmente que gozaste com a
minha cara. Fiz alguns esforços por ti, da mesma forma que sei que os fizeste
por mim, e chego mesmo a pensar se depois de tantas forças juntas, não podíamos
tentar fazer o mundo ver que há quem consiga. Vou para mundos onde já estive
contigo, paraísos que vou tentar guardar no meu pensamento e tentar fechar naquela
gaveta das memórias. Tentar que não desapareças totalmente da minha vida, mas
que eu não a torne apenas em ti. Existem mais coisas além de uma mera pessoa
que, aparentemente, não pensa em mim e que parece que está a brincar com o que
eu sinto. Poderia justificar, como já algumas pessoas o fizeram, que a razão
para tudo isto é a imaturidade, mas quando eu relembro tudo o que contigo
passei, tudo o que comigo partilhaste, não posso continuar a mentir me a mim
mesmo e criar em ti uma pessoa que tu não és. Um dia quando voltares a olhar os
meus olhos e vires que me tornei uma pessoa nova e que não tenho mais uma
etiqueta com o teu nome, bastante pesada por sinal, vais ver que existem
pessoas que apesar de mostrarem uma coisa, sentem outra. Vais te aperceber que
reagiste de uma forma menos correcta e que existem atitudes que levam o seu
tempo a curar. A minha demorou mas ao ver um rio, tão meu conhecido, numa noite
fria, onde eu consegui observar um barco no meio do nada e achar aquela cena tão
carismática, percebi que nem tudo se resume a viver para ti. Eu sempre soube
que tinha uma vida própria, nunca me iludi com isso mas quando me deixaste
desamparado perdi todo o rumo que sempre tive e tive dificuldades em sair de um
buraco onde eu próprio me meti. Então, este rio, teve a bondade de me trazer um
cheiro que eu já não relembrava mas parece que me acordou para a vida. Continuo
a saber que estas por ai, a fazer não sei muito bem o que, mas quando quiseres
falar comigo sabes que estou aqui. Não sou eu que vou falar contigo, apesar de
que gostaria de resolver tudo. Recordo quando falei contigo, como forma de
resolvermos o desentendimento que tivemos e a forma como ultrapassamos isso e
revivi a facilidade das coisas. Apesar de achar que as coisas são fáceis de
resolver, espero que entendas isso tão bem quanto eu e que tomes uma atitude de
forma a esclarecer o que de errado aconteceu. Apesar de já me teres explicado o
que aconteceu, fiquei confuso, pois nada fazia prever o que aconteceu. Havia
felicidade entre nós, todos os momentos eram vividos de uma forma tão intensa
que por vezes, perguntava me se precisaria eu de mais. Havia uma conexão a 100
por centro e quando me dizes que não, pergunto me o que viste que eu não
consegui. Não consegui entender o porque do espaço entre nos ter ficado tão
vazio e frio, quando havia noites em que o calor dos nossos corpos serviam para
aquecer ainda mais a nossa paixão de uma forma que outrora nunca aconteceu.
Sabemos que a forma como tudo começou, pode não ter sido a mais correcta mas a
forma como se desenvolveu foi de uma forma tão calorosa que seria impossível de
pará-la como tu fizeste, de uma forma inesperada e triste. A única coisa que
espero verdadeiramente, é pensar sobre tudo o que aconteceu, trancar esses
pensamentos numa gaveta de memórias e quando tiveres aquela coragem que eu sei
que está dentro de ti, podes vir falar comigo. Vou ouvir te, vou argumentar e
ocorrerá o juízo final. Até lá nada espero da tua pessoa, espero da minha,
apenas a força que eu penso ter para conseguir arrumar tudo na tal gaveta e
traçar tantos objectivos quanto os que tracei até aqui. Sei que vou estar
envolvido num mundo de solidão agora mas sinto que a minha mente precisa de um
bocado de espaço para poder reflectir o que eu quero verdadeiramente.
A
única coisa que eu esperava era que a tua mente ficasse clara o mais rápido possível,
de modo a que eu possa abrir a gaveta e deixar as coisas ficarem apenas
arrumadas na minha cabeça ou então mandar tudo fora. Sei que se mandar tudo
fora, posso ficar uma pessoa mais fria, mais triste mas a força que nós não
vemos é mais forte do que nós imaginamos e ai tudo acontece. Resta me esperar
até um dia, em que faça sol, à noite tenha lua cheia e consiga descobrir onde
está a Ursa Maior, aquela que eu te ensinei a ver e que espero que a observes
ao mesmo tempo que eu e te recordes o quão felizes fomos nesse dia, a observar
as estrelas. Apenas isso… Eu sei que nesse dia vais entender o que eu sinto,
talvez a maior estrela fique mais forte e te de uma necessidade de ouvir a
minha voz. resta me aguardar.

Sem comentários:
Enviar um comentário