Existem momentos da nossa vida em que as palavras são as nossas maiores e melhores conselheiras. Hoje sinto que vou para longe do sitio onde tudo aconteceu. Sinto uma magoa, não só por abandonar este meu lugar mas também pelo silêncio deixado entre as linhas. Será que é possível compreender o silencio de uma cidade que se encontra vazia sem ti?! Essa resposta, vou procura-la por outros lugares onde já estive e onde consigo encontrar palavras que me consolem e me aconchegam no frio de uma noite. Sim, enquanto esperei apenas uma palavra, encontrava me perdido na solidão e sem saber muito bem o que pensar ou fazer. Talvez, dizer eu uma palavra seria a solução mas existem mais coisas, sentimentos, personalidades e até mesmo momentos que nos preferem deixar no vazio, sem nada para fazer ou dizer. Tantas vezes desejei que nada fosse assim mas quando as acções não dependem apenas de nós, julgo que não há nada a fazer. Quando solucionamos o problema uma vez, com palavras, pensamos que tudo fica resolvido e que qualquer tipo de problema ou até diferença pode ser resolvida com essa mesma palavra. Apenas uma palavra de consolo, de conforto ou poderia até ser uma palavra cheia de mágoa. Mas apenas uma palavra. Palavra essa, que possivelmente iria mudar tudo, da mesma forma que mudou a primeira vez. Existe um silêncio que não é compreendido mutuamente. Gostaria de entender o porque de uma pessoa existir para outra mas lá no fundo, essa pessoa é nada mais do que uma miragem. Miragem essa que ao longo dos tempos se vai afastando sem dar qualquer tipo de justificação. Aquela tal palavra. Palavra essa que faz falta nos momentos mais complexos. Até poderia considerar um sorriso ou uma mera lágrima, desde que visse que fosse sincero. Mas será que quando pensamos que conhecemos as pessoas conseguimos distinguir os verdadeiros sentimentos dos falsos? Isso é complicado de dizer, pois cada pessoa sente da sua forma e o que importa é haver a tal palavra.
Sinto que vou para longe de onde tudo começou e isso deixa me triste mas ao mesmo tempo feliz. Rever algumas pessoas que me fazem falta e que me preenchem mas falta-me algo. O que sei eu neste momento? Sei que existe uma ausência completa. Por vezes apareces como vulto mas não passas de uma miragem e sabendo tão bem como eu, ainda há muita coisa por dizer. A ausência não faz de nós mais adultos ou mais crianças, mas as atitudes sim. Tendo em conta tudo o que passamos, julgo que não faria o menor sentido isto ter acontecido. Digamos que houve uma entrega, de tal modo grande, que tudo estaria mais claro se existisse a palavra que está ausente. Muitas vezes, nestes últimos dias, em que a ausência é de tal moda marcada, a vontade de exprimir sentimentos foi muito grande. Sinto que ainda há muito por dizer, que há muito a fazer por aquilo que tanto desejamos. Digamos que existe uma determinação da minha parte em que tudo corra de uma forma que seja coerente para todos mas parece que o sentimento não é mútuo. Se calhar é. Mas então passei uma página à frente e perdi todo o rumo da história. Considero que esta história não está acabada. Não me sinto capacitado para falar. Melhor, não me sinto capacitado para ir de encontro com essa conversa. Mas todos os dias esperaria que isso acontecesse, ou de uma forma espontânea ou pela palavra que faltou. Palavra essa que eu julgava estar lá, quando falamos, quando te ouvi chorar, quando foram expressos sentimentos muito profundos e que eu não compreendia. Fui apanhado de surpresa. Não esperava. Principalmente depois de tudo o que tínhamos passado mais recentemente. Onde houve trocas de amor, o toque sentido, o sorriso claro e o calor de um corpo, do qual eu nada exigi. Depois de ver o brilho nos olhos de alguém, como é possível acreditar que essa pessoa nos pede um tempo e desaparece pura e simplesmente? É esta a palavra que aguardo. Foi essa a palavra que aguardei enquanto caminhei com as malas carregadas de tristeza mas que faço questão de, um dia conseguir traze-las com uma alegria imensa. Digamos que se a tal palavra, tão referida mas tão ausente, ajudaria a libertar o peso da tristeza e assim dar mais liberdade à alegria que eu pretendo. Mas o que pretendo eu? Julgo que nunca ninguém sabe o que pretende. Cada um vai no seu caminho e apanha, o que pura e simplesmente encontra no seu trilho. Posso afirmar que também já o fiz, mas garanto que nunca foi de uma forma tão… tão sem palavras. Neste intenso caminho, muitas das vezes encontra-se uma felicidade inesperada, que nos liberta de todos os problemas. Pensamos nós que nos liberta mas isso não é real. A felicidade apenas atenua esses problemas. Eles continuam lá mas são resolvidos com um sorriso nos lábios, porque sabemos que quando chegarmos a casa temos alguém a nossa espera para nos receber, para nos dar aquele beijo tão especial, igual aos outros mas que se torna especial por ser quem é. Mas na verdade, o que sabemos nós sobre a felicidade? Todos os seres, vivem num mundo com ambições, atingir os seus objectivos e pensam que com isso podem atingir a felicidade mas será que quando atingirem o que querem, não vão querer eles outro objectivo? é isso que nos guia por este mundo tão incerto. E quem tem o problema de ter dois mundos, tem de se resolver consigo mesmo. Fazer esforços para que tudo resulte. Eu tentei faze-lo da melhor maneira que aprendi. Ninguém me ensinou pois cada um vê os seus mundos de uma forma característica e por vezes caricata. Era assim que eu via os meus dois mundos, um onde encontro uma felicidade, se é que se pode chamar felicidade, junto de uma família especial que encontrei, e um outro onde existe uma família que me encontrou a mim, que me apoia e que tolera todas as minhas decisões. Optei por habitar mais num deles, fazer esforços por sentir que o devia fazer por alguém. Não peço que ninguém o faça por mim pois ninguém tem esse direito. Eu também tenho sentimentos e principalmente saudades de casa, daquela onde encontro o beijo especial de uma mãe que se viu abandonada pelo seu filho e que não tem capacidades psicológicas para o ter longe dela. Mas como será o reencontro de uma mãe com saudades? Posso afirmar que é um acto feliz mas ao mesmo tempo triste, pois ela sabe que mais cedo ou mais tarde, ele acabará por partir novamente. Mas enquanto ele está por lá, ela sabe que pode contar com ele para tudo e que ele a apoia com todas as suas forças. Mas o que fazer quando não temos forças para aguentar os nossos próprios problemas? Tentamos esconde-los e mostrar que somos fortes pois não é fácil cuidar de nós e mesmo assim cuidar de uma mãe, aquela que supostamente deve cuidar de nós e que não está habilitada para tal. Creio eu que não existe maior ansiedade do que chegar a casa e poder encontrar uma mãe com um sorriso nos lábios, à nossa espera, que nos dê um beijo apertado e que nos diga "estás mais magrinho". É ainda mais difícil quando sabemos que vamos chegar a casa e encontrar uma mãe que está fragilizada, que se sente sozinha e que daria tudo por cada um dos seus filhos, que sempre fez de tudo por eles e que por vezes estes não lhe dão o devido valor. Será por terem uma vida própria? E ela não tem uma vida própria? Ela que se multiplica por muitos para poder chegar a todos e que mesmo que consiga se sente incapacitada por nunca conseguir dar mais de si. Na verdade ela deu tudo o que podia mas há sempre o momento em que se sente incapacitada por não conseguir mais e com a ajuda dos filhos ela sente que falta sempre algo. A dor causada por estas palavras é tão verdadeira que quando se fala com uma mãe que está longe nós, sentimos a mágoa nas suas palavras, apenas por nós não estarmos lá para ela nos poder dar aquele simples beijo. O beijo de boa noite ou simplesmente olhar para nós. Será que se ela pudesse não estaria sempre perto de nós até ao final dos nossos dias? Creio que qualquer mãe o faria se conseguisse. Pior é quando nós pensamos que a nossa mãe é a pessoa mais forte do mundo e ela não consegue esconder as suas fraquezas, ficamos sempre a pensar, e agora? O que faço? Vontade para largar tudo e estar ao pé dela é coisa que nunca nos falta mas o que podemos nós fazer? A solução seria tê-la sempre ao nosso lado para podermos cuidar dela na ausência dos outros irmãos. Quando isso não é possível, resta-nos ficar com o peso na consciência, ouvi-la chorar ao telefone, mostrar as suas fraquezas, que há muito estão dentro dela e quando ela desligar, chorar nos próprios e pensar numa solução rápida e eficaz para alivia-la de todos os problemas que a atormentam. Nem sempre é assim tão simples. Hoje posso dizer que anseio por encontrar uma mãe forte e feliz por me ver mas no fundo eu sei que as suas fraquezas são maiores, o que não quer dizer que ela não se sinta feliz por rever o seu filho depois de algum tempo, mas ficamos sempre tristes quando encontramos uma mulher, que sempre teve uma força inconfundível e que hoje é apenas o que é. Uma grande mulher mas com uma força tão mais pequena do que foi um dia. Com isto, a tristeza abraça-nos e só dá vontade de traze-la connosco ou nunca mais sair de perto dela para o caso dela, mais cedo ou mais tarde, precisar de nós. Ai ganhamos aquela força que achamos que nunca temos e mostramo-nos felizes por revê-la mas no fundo o que estamos a fazer é reencontrar uma mulher diferente, vencida pelo cansaço sem que ninguém lhe dê o devido valor. Eu dou. Existem discussões acesas mas também existem conversas mais profundas que não consigo ter com muita gente mas que só ela me sabe aconselhar da melhor forma. Basta me olhar para ela e rever a sua felicidade, felicidade essa que outrora estava presente nos seus olhos naturalmente. Onde se meteu esta grande mulher? Esta resposta também me atormenta, mas as pessoas tem fraquezas e também são vencidas pelo cansaço mas seria preciso tudo isto?! Será apenas uma lição de vida? Uma lição de vida que pode simplesmente custar a vida de uma pessoa que nos faz tanta falta, nem que seja só pela presença? O que faria eu se um dia regressasse e não reencontrasse aquela mulher, que hoje é pequena e fraca? Julgo que terminaria o meu mundo. Ela pode não dizer nada mas os seus olhos falam e expressam o seu amor pelas coisas, pelas pessoas. Basta a sua existência para fazer alguém feliz. Talvez hajam sentimentos que nunca lhe foram expressos e que fazem falta, pois esta senhora também tem sentimentos, também tem uma energia que se gasta. Da mesma forma que ela espera nunca nos faltar, nós esperamos nunca lhe faltar, mas e quando não nos é possível estar presentes? Será que alguém está por nós? Não. Da mesma forma que ninguém consegue substituir a nossa mãe, também ninguém consegue substituir um filho, por muito que estes sejam semelhantes. Um filho é sempre um filho. Podem ser ditas palavras que não se querem, pois estas podem magoar que nem pedras, mas por vezes estas saem nos sem querer e dói ainda mais quando não estamos perante ela para nos desculpar. Será que ainda dá tempo? O tempo é algo que não se define universalmente no que toca a sentimentos. Cada um sente da sua forma, mas uma mãe perdoa sempre, só resta é que nós nos cheguemos ao pé dela para nos desculparmos. Mas quando a saudade é imensa, o acto de chegar ao pé dela e agarra-la daquela forma tão carinhosa, é qualquer coisa de grandiosa. Um acto majestoso que nos liberta de muitas angustias e que nos rouba um pouco de saudade. Mas e depois partimos novamente? Será assim tão fácil? vamos ver. Vamos tentar encontrar o conforto tão esperado e encontrar, naquele olhar tão sublime, algumas soluções para os nossos problemas pois, aquele olhar de mãe consegue sempre responder nos a muitas questões. Por muito que ninguém lhe tenha dito o que se passa, uma mãe sabe sempre quando um filho não está bem. E quando um filho lhe diz que está com saudades dela? Isso é como água gelada pelo corpo. Uma mãe nunca sabe o que responder a isto, principalmente quando não vê o seu filho a algum tempo. Será que estes dias vão ajudar a que a saudade vá e venha a alegria? Julgo que é pouco, apesar da sua fragilidade existem obrigações que não nos permitem estar sempre perto dela, apesar dela estar sempre perto de nós, nem que seja apenas em pensamento mas ela está sempre por perto, sempre a pensar em nós e no que nos faz falta. isto é uma mãe. Uma mãe que se vê obrigada a deixar o seu filho partir sem poder fazer nada para mudar as suas escolhas apesar dela saber que tem de deixar que os filhos aprendam por si próprios, com os seus erros e com as suas glórias. Ela pode saber que é o correcto a fazer mas e o que sentimos nós, ao partir e deixar ali uma senhora, que se despede de nós com um sorriso de alegria mas que depois chora pela nossa ausência? Também sei que é o correcto para mim, o que não é correcto é deixa lá ali sozinha sem deixar que ela me aconchegue os cobertores a meio da noite, que me peça ajuda em algo, mesmo que eu esteja ocupado, mas pelo menos sei que ela está ali para me apoiar em tudo, o que pode e o que não pode. Sim porque esta mãe é uma daquelas que a energia é uma coisa que nunca mais acaba. o problema é que eu já vi essa energia mais longe de terminar. O único pedido que eu te fazia era, não me abandones. Não há ninguém que te possa substituir. Muita gente pode me aconchegar os cobertores mas ninguém o faz como tu. Ninguém reclama comigo como tu reclamas, ninguém me olha como tu olhas.
Apenas isso...
Apenas isso...

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